quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tormenta de Ideias


- Não faça ruído. Disse ele com medo de despertar sua consciência.Sentado ali, no escuro, com apenas a lua e as estrelas como companhia, tentava recuperar a sincronia de sua respiração que, por ora, estava ofegante.
 Havia poucos minutos que finalmente colocara o plano em ação, depois de dias formulando, conseguiu ludribriar seu reflexo no espelho, aquele que sempre o encarou de forma tão vigilante e compenetrada.
 - Ele não iria pensar nisso, iria?Eu iria?Está feito. - E, dito isso, se recostou um pouco mais na velha poltrona onde as traças constantemente se deliciavam.
 As horas passavam vagarosamente, e a adrenalina que antes fora a causa da respiração acelerada e fora de ordem, vai se dissipando; os efeitos se sobrepõe aos questionamentos desesperados e o dominam.Olhos fechados, o sono é demasiado para se manter nesse mundo; a realidade fica pra trás e os sonhos começam, agora estava em um lugar donde nunca mais sairia.
 Provavelmente os dois personagens coexistindo no mesmo corpo iriam brigar por muito tempo se o seu oposto descobrisse que uma das partes acabara de tomar dois frascos de um tarja preta qualquer, mas não havia o que descobrir, se não o matassem, os efeitos do remédio o manteriam em um coma irreversível.Era o que ele esperava ao planejar isso.
 Engano do suicída, no mesmo dia, mais cedo, os comprimidos de tais frascos haviam sido trocados por complexos vitamínicos.
 Cerca de 6 horas mais tarde, ao acordar, se veria mais uma vez decepcionado, o plano fora previsto, não conseguiu de novo.
 A lua e as estrelas não lhe faziam mais companhia. São seis horas da manhã, e os pássaros cantam.

Vinicius Maderi, Vinícius Agostini e Adryano Quegi

domingo, 21 de novembro de 2010

O preconceito que existe dentro da igreja

      Antigamente se acreditava que a igreja tinha o direito de punir os pecadores com penas tão severas que, em alguns casos, chegava até a tirar a vida. Com o passar do tempo, foram percebendo que isso estava errado (foi uma revolução pra época).
      Há centenas de anos a igreja condena a liberdade dos homossexuais. De certa forma, esse é um conceito insensato, visto que, até mesmo na própria bíblia, existem pecados que gradativamente 'deixaram' de ser proibidos, além do fato de a sexualidade da pessoa nascer com ela, e mesmo nos casos em que alguns indíviduos tentam lutar contra isso, acabam vivendo frustrados, reprimidos e, numa grande parte das vezes, podem até entrar em depressão.
      Minha opinião é que a igreja não pode enfrentar uma coisa que já nasce dentro de alguém e que não consegue ser simplesmente deixado de lado. Se você não é, pergunte a alguém que é homoafetivo se foi ele quem escolheu ser daquele jeito. A resposta, quase que unanimamente vai ser não. Ninguém quer para si uma sociedade que te repudia, que te trata como inferior e que aponta o dedo na sua cara pra dizer que Deus não gosta do jeito que você vive (mesmo que esse não tenha perguntado a Deus o que Ele pensa). 
      A igreja não precisa aceitar o casamento gay, mas esse pensamento de que a sexualidade é pecado, tá errado. Sou e sempre serei contra qualquer forma de preconceito, principalmente o preconceito induzido, esse que grandes líderes induzem seus seguidores a serem iguais na forma de julgar. Cada um tem a consciência do que é e do que pode ser pra encontrar a felicidade. 
      E para os que pensam que eu sou ateu, não, eu não sou. E eu vou à igreja mesmo discordando de muita coisa, mas tenho consciência que quando o padre fala, ele não manda, ele apenas expõe a opinião que ele e a igreja têm.
      Deus não precisa desse preconceito embutido, ele se faz acessível pra todo mundo, seja você homo, hetero, tran ou bissexual. Respeito existe pra se usar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A paixão mesmo, é implícita

Existem promessas que são feitas mesmo que não sejam ditas, sentimentos que existem sem precisarem ser falados. As formas mais implícitas e intensas que uma paixão pode atingir. A gente sente que há, mas não consegue explicar. E não tem nenhum mortal além de nós mesmos que consiga entender o que sentimos. Até mesmo nossos melhores amigos acham que entendem, mas não é verdade; é uma coisa intensa demais pra poder ser entendida por muitos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A gente inventa muita coisa para mitificar a morte

As pessoas inventam muita coisa pra mitificar a morte e, de tanta coisa que inventam, não se sabe no que acreditar. Se é verdade que há um paraíso e um inferno ou se há um purgatório para pagar-se pelos pecados, e por aí segue. E, com isso, os que continuam vivo sofrem pela perda porque, tirando sentido religioso e filosófico, o que acontece é que quando a morte chega, acaba tudo. Não importa se foi um herói nacional, um grande líder ou um vagabundo qualquer, ces't fini! Ficam para trás os irmãos, tios, primos, filhos, maridos, esposas, pais, amigos, colegas, vizinhos, cachorro, TUDO. É um pedaço de cada um que se vai, uma dor que a gente procura esconder, mas continua existindo.
Para os que continuam vivos, sempre resta a dúvida e a incerteza. Eu, você, sua namorada, qualquer um pode ir a qualquer hora. Um descuido e já era! E a agonia pode destruir uma família, traumatizar outras vidas, indignar todo mundo. E não adianta chorar e rezar, não muda: o livro acaba sem ter final.
A morte não está nem aí para nós, ela tem “vida própria”. A gente vai para um lado, o corpo para o outro. Ela nos ignora, nossos méritos, nossas obras. 
(Arnaldo Jabor)

A morte e as vidas que continuam

A gente passa a vida se preocupando com tudo e com todos que queremos bem. Amigos, parentes, colegas de profissão... Mesmo sem perceber, estamos sempre pensando em proteger. "Não vai tomar chuva", "me liga quando chegar lá", "é melhor não dirigir pela estrada à noite", "abre o olho, você vai perder de ano". Enfim, sem perceber a gente vive pra cuidar da vida de quem a gente ama. Aí vem a ironia da vida (ou da morte, se prefere assim pensar): se não há mais NADA de ruim que possa acontecer a essa pessoa, a morte seria um remédio que livrasse de tudo o que as outras milhões de pessoas pudessem fazer pra machucá-la. Mas não, o coração não sente isso, aliás, o coração não consegue compreender que ela morreu, a ficha não cai!
Nos últimos 40 dias morreram 3 pessoas muito próximas a mim: minha tia Rosita, de infarte; meu avô, de câncer; e, por último, minha tia Leila, de acidente de carro. As duas primeiras mortes eu consegui enfrentar e até entender, mas a de domingo passado eu não consigo! Como uma pessoa tão bonita, 33 anos, voltando de um culto, usando cinto de segurança e tudo, pôde morrer assim!?
A causa da morte foi um corte profundo na veia safena, na perna, na altura da virilha, as primeiras informações foram de que foi o cinto de segurança que fez o corte, mas pelo lugar onde teve o ferimento não dá pra acreditar nisso. Ela estava no banco de trás, e o outro carro que vinha na contra mão bateu só na parte da frente, no lado do carona. Meu primo, o filho dela de 6 anos, estava sem o cinto e deitado no colo dela, mas, ainda bem, não aconteceu nada a ele. Não teve nenhum ferro ou outra coisa que pudesse ter perfurado a perna dela, então, até sair o laudo, ninguém sabe o que houve.
Além de tudo, ainda teve o fato de que os para-médicos trouxeram para o hospital de Teixeira - o único preparado - apenas o motorista bêbado (já morto) do carro que estava na contra mão e o homem que estava com ele. Minha tia, o marido e o filho foram levados pro hospital de Medeiros Neto, que na hora estava sem médicos NEM enfermeiros para prestar socorro. Isso é um absurdo! Se tivesse trago pra cá (ou se tivessem preparo em Medeiros), talvez teriam conseguido controlar a hemorragia e ela não teria morrido. Mas, como disse o grande Arnaldo Jabor, "A morte não está nem aí para nós, ela tem “vida própria”. A gente vai para um lado, o corpo para o outro. Ela nos ignora, nossos méritos, nossas obras."
Essa rodovia que liga Teixeira a Medeiros Neto (BA 290), já foi palco de muitos acidentes. Praticamente toda família de Medeiros Neto já perdeu algum parente nessa estrada. É reta, cheia de buraco e não tem acostamento. Resultado: o motorista se empolga por que é reta e anda em alta velocidade. Aí quando vê um buraco e vai desviar, não tem acostamento e o outro veículo que vem não tem pra onde se proteger, daí mais um acidente. O deputado que conseguisse que um projeto de duplicação fosse aprovado, pode ter certeza: seria reeleito quantas vezes fosse candidato. Fica a dica pra Timóteo, que, agora, vai ser o único representante da nossa região na assembléia.